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Quanto cobrar pelo serviço: preço por hora para MEI e autônomo
Como calcular o valor da hora a partir dos custos fixos, do pró-labore desejado e das horas que você realmente consegue faturar. Com exemplo numérico completo.
Equipe Kori Docs · 24 de outubro de 2026 · 6 min read
A forma mais comum de definir preço no início é olhar o que os outros cobram e ficar um pouco abaixo. Funciona para conseguir os primeiros clientes e quase sempre dá errado depois de alguns meses, quando a conta do mês não fecha mesmo com a agenda cheia. O preço da hora precisa sair dos seus números, e só depois ser comparado com o mercado.
A conta em uma linha
Preço da hora = (pró-labore + custos fixos + impostos) ÷ horas faturáveis, acrescido de uma margem.
Cada termo tem uma armadilha. O pró-labore costuma ser subestimado, os custos fixos aparecem incompletos e as horas faturáveis são superestimadas. A seguir, um termo de cada vez.
1. Pró-labore: quanto você precisa tirar
Pró-labore é o que você quer receber pelo seu trabalho, como se fosse o salário. Não é o que sobra no fim do mês. Defina um valor que cubra seu custo de vida e uma reserva pessoal.
Lembre que, como autônomo, você não tem 13º salário, férias remuneradas nem FGTS. Se quiser ter esses benefícios, eles precisam estar no preço. A forma mais simples é considerar que você vai trabalhar 11 meses por ano e precisa ganhar 12 pró-labores nesse período.
2. Custos fixos do negócio
São os gastos que existem mesmo nos meses sem cliente. Liste todos, mesmo os pequenos:
- Internet e telefone.
- Softwares e assinaturas.
- Equipamentos, divididos pela vida útil (um notebook de R$ 5.400 que dura três anos custa R$ 150 por mês).
- Transporte e deslocamentos.
- Espaço de trabalho, se houver.
- Divulgação, site, domínio.
- Tarifas bancárias e de meios de pagamento.
- Cursos e atualização profissional.
Despesas pessoais não entram aqui. Elas já estão cobertas pelo pró-labore.
3. Impostos: o DAS do MEI
O MEI paga um valor fixo mensal pelo DAS, independentemente do faturamento, desde que respeite o limite anual. O valor é composto por uma contribuição ao INSS calculada sobre o salário mínimo e por valores fixos de ISS e, conforme a atividade, ICMS. Como acompanha o salário mínimo, muda todo ano. Confira o valor vigente no Portal do Empreendedor ou no próprio boleto do DAS.
Por ser fixo, o imposto do MEI é simples de colocar no preço: basta somá-lo aos custos do mês. Para quem não é MEI, o imposto é proporcional ao faturamento e precisa ser tratado como percentual sobre o preço.
4. Horas faturáveis: o erro mais caro
Um mês tem cerca de 160 horas úteis, considerando 20 dias de 8 horas. Quase ninguém consegue cobrar todas elas. Parte do tempo vai para:
- prospecção e atendimento comercial;
- propostas e orçamentos que não fecham;
- administração: cobrança, notas fiscais, contas;
- deslocamentos;
- estudo e atualização;
- retrabalho e ajustes não cobrados.
Para a maioria dos prestadores de serviço, entre 50% e 65% das horas úteis são faturáveis. Quem divide os custos por 160 horas chega a um preço até duas vezes menor do que deveria.
A melhor forma de descobrir o seu número é medir. Durante duas ou três semanas, anote quanto tempo foi para trabalho cobrado e quanto foi para o resto.
5. Margem
A margem cobre o que não está nos números: meses fracos, cliente que atrasa, equipamento que quebra, investimento no negócio. Um acréscimo entre 15% e 30% sobre o custo da hora é uma faixa comum para prestadores individuais.
Exemplo completo
Uma designer trabalha como MEI e atende pequenas empresas. Os números abaixo são ilustrativos, inclusive o valor do DAS, usado apenas para fechar a conta.
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| Pró-labore desejado | R$ 4.000,00 |
| Internet e telefone | R$ 180,00 |
| Softwares | R$ 220,00 |
| Notebook (depreciação) | R$ 150,00 |
| Transporte | R$ 250,00 |
| Divulgação | R$ 100,00 |
| DAS (ilustrativo) | R$ 80,00 |
| Total mensal | R$ 4.980,00 |
Passo 1: ajustar para 11 meses de trabalho.
R$ 4.980,00 × 12 ÷ 11 = R$ 5.432,73 por mês trabalhado.
Passo 2: estimar as horas faturáveis.
Das 160 horas úteis do mês, ela mediu cerca de 70 horas em atividades não cobradas. Restam 90 horas faturáveis.
Passo 3: calcular o custo da hora.
R$ 5.432,73 ÷ 90 = R$ 60,36 por hora.
Passo 4: aplicar a margem de 20%.
R$ 60,36 × 1,20 = R$ 72,44. Arredondando, R$ 72 por hora.
Se ela tivesse dividido R$ 4.980,00 por 160 horas, chegaria a R$ 31,13 por hora, menos da metade do valor necessário.
Passo 5: conferir o faturamento anual.
R$ 72 × 90 horas × 11 meses = R$ 71.280 por ano. Esse número precisa caber no limite de faturamento do MEI. Se a conta indicar um faturamento acima do limite, é hora de planejar a mudança para microempresa, e não de baixar o preço. A calculadora de limite de faturamento do MEI ajuda nessa conferência.
De hora para projeto
Muitos clientes preferem preço fechado. A hora continua sendo a base: estime as horas do projeto, inclua uma folga para revisões e multiplique.
Um projeto de identidade visual estimado em 25 horas, ao preço de R$ 72, sai por R$ 1.800. Se o histórico mostra que esse tipo de projeto costuma ter duas rodadas extras de ajuste, inclua essas horas na estimativa ou limite o número de revisões na proposta.
Defina por escrito o que está incluído, quantas revisões, o prazo e a forma de pagamento. Uma proposta comercial aceita formalmente, seguida de um contrato de prestação de serviços, evita que o projeto de 25 horas vire um de 40. Com o Kori Docs, a proposta é assinada pelo cliente e a cobrança da entrada já sai por boleto ou Pix no mesmo fluxo.
Quando revisar o preço
- Uma vez por ano, no mínimo, com a inflação e o novo valor do DAS.
- Quando a agenda estiver cheia por mais de três meses seguidos.
- Quando os custos fixos mudarem.
- Quando você medir as horas faturáveis e o número real for diferente do estimado.
A calculadora de preço do serviço faz essa conta com os seus números e mostra o efeito de cada variável no preço final.